16/01/2016

Trieste - Itália




A Cidade de Trieste  às margens do Mar Adriático foi uma boa surpresa na nossa viagem, e sentimos não ter ficado um pouco mais para explorar melhor porque programamos apenas uma noite para dormir e seguir viagem. Ficamos estrategicamente em um hotel próximo da estação e a cidade é tranquila apesar de portuária e grande. 

Era uma colônia romana com nome de Tergeste e após a Queda do Império Romano, tornou-se uma  importante cidade porto do Império Austro-Húngaro, depois ao Reino da Itália com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. Mas Trieste tornou-se definitivamente parte da Itália apenas em 1975, após uma longa disputa com a antiga Iugoslávia que reclamou a região após a ocupação por tropas alemãs e o fim da Segunda Guerra Mundial. 



A arquitetura tem influência destes períodos e no centro histórico de Trieste, na Colina de San Giusto, fica a maioria das construções do Período Romano e Medieval  como o Teatro, provavelmente construído pelo Imperador Trajano, o Arco Romano de Ricardo, a Basílica Catedral de San Giusto, o Castelo ou Fortaleza onde funciona um museu atualmente e todo o entorno com uma bela vista  porque fica no alto de uma colina.


Teatro Romano

Arco de Ricardo

Basílica de San Giusto

Fortaleza San Giusto


O Museu Cívico é uma construção de 1913, usada durante a ocupação nazista na Segunda Guerra para aprisionar judeus e enviar ao campo de concentração de Auschwitz. No local funcionou o único crematório de judeus da Itália utilizando um antigo forno de secagem de arroz. E o farol da Vitória com quase 70 metros de altura é um monumento em homenagem aos marinheiros mortos da Primeira Guerra, do arquiteto Arduino Berlam e o escultor Giovanni Mayer que esculpiu em cobre a estátua da Vitória no topo.



Museu Cívico

Farol da Vitória
Farol da Vitória

Farol da Vitória



É na Piazza Unità d´Itália que estão os mais belos edifícios como o Palazzo del Municipio (Câmara Municipal) do arquiteto Giuseppe Bruni e a torre de relógio com duas estátuas de bronze de personagens do folclore trieste: Mikeze e Jakeze. A fonte localizada em frente ao Palazzo foi criada pelo escultor Giovanni Battista Mazzoleni Bergamo com quatro estátuas representando os quatro continentes: Europa, Ásia, África e Américas. Oceania ainda não tinha sido descoberta.

Outra imponente construção em estilo neoclássico na Praça é o Palazzo Stratti, construído pelo comerciante grego Nicholas Stratti, em 1839 e projeto do arquiteto Antonio Buttazzoni. No térreo funciona o Caffé degli Specchi: www.caffespecchi.it


Palazzo del Municipio

Palazzo del Municipio

Piazza Unitá d´Itália
Palazzo Stratti

Caffé degli specchi na Piazza Unitá d´itália e Palazzo del Municipio ao fundo

Caffé degli specchi na Piazza Unitá d´itália

Caffé degli specchi na Piazza Unitá d´itália


O nome da praça é uma homenagem à unificação de Trieste à Itália e anteriormente chamava-se Piazza Grande. Outros importantes palácios circundam a Piazza como o Palazzo Governale, construído por Maria Teresa da Áustria e hoje abriga os escritórios do Comissário do Governo na região, Prefeitura e receber personalidades de Estado estrangeiras em visita oficial na cidade.


Palazzo Governale

Próximo fica a Piazza Verdi com o principal teatro da cidade de 1801, o Teatro Lírico Giuseppe Verdi dos arquitetos Gian Antonio Selva e Matteo Pertsch.

Teatro Lírico Giuseppe Verdi


O Grande Canal realizado pelo veneziano Matteo Pirona  é outro passeio interessante pela cidade e também fica próximo à Piazza Unitá d´itália com a Igreja Neoclássica de Sant´Antonio Nuovo, o templo ortodoxo de Spyridion e o Caffè Stella Polare, um dos lugares históricos de Trieste. Ao lado da Ponte Rosso a escultura do escritor irlândes James Joyce que viveu um período na cidade.
   

James Joyce

Canal Grande


Um pouco mais distante fica o Castelo Miramare do século XIX entre 1856 e 1860, construído pelo Arquiduque da Áustria Maximiliano  de Habsburgo e projeto do arquiteto vienense Carl Junker com jardim de plantas trazidas de suas viagens ao redor do mundo.



Castello Miramare

Castello Miramare

Castello Miramare

Castello Miramare


Trieste é uma cidade rica em arquitetura e apenas 2h30 de trem ou 160 km de carro de Veneza, mas pessoalmente eu optaria por trem porque a estação fica muito próxima de todas as atrações a visitar e o centro histórico é complicado para parar o carro, além de gastar mais com estacionamentos. O bilhete de trem custa a partir de 9 euros dependendo do horário e tipo de trem.  Partindo de Veneza você escolhe entre as estações Venezia Mestre no continente ou Venezia S. Lucia na ilha.Veja no site www.trenitalia.it.




Crédito de fotos:
http://www.triesteraccontatrieste.it/
http://www.wikipedia.com

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13/01/2016

Expo Milão 2015 por Glaucia De Salles Ferro

Preciso começar este post agradecendo a Deus por colocar no meu caminho pessoas  como a Glaucia, minha irmã astral. Ela nasceu no mesmo dia, mês, ano e horário que eu, temos muitas coisas em comum, nos conhecemos muito jovens em uma escola de arte de São Paulo e também é Designer como eu. Ontem estive em Curitiba e nos encontramos em um dos raros momentos porque hoje moramos em cidades diferentes, mas a amizade  que temos é a mesma não importando a distância. Na verdade somos três mosqueteiras nesta história porque tem mais uma amiga desta época, a Marisa com a mesma conexão de amizade e carinho.

No ano passado a cidade de Milão sediou a Expo e solicitei um texto para a Glaucia porque como Doutoranda em Designer e Consultoria Empresarial é a pessoa perfeita para nos contar sobre sua visita ao evento.    (glaucia@frontesul.com.br)

 



 
Falar da Expo Milano 2015 após seu encerramento é homenagear aqueles que organizaram  e participaram deste evento magnífico, onde mesmo em tempos de crise econômica, os países ali presentes deram um show. Um show de arte, de organização e de bem receber! O tema "Nutrir o Planeta, Energia para a Vida", fez com que a criatividade de cada um dos 150 países pudesse ser ali representada.




O projeto do espaço da Expo Milano 2015 do arquiteto Massimiliano Fuksas foi construído como se fosse uma ilha cercada por um canal de água dando aos visitantes a percepção de frescor e de vida. Os cinco pavilhões principais tratavam dos temas : alimento e o futuro, a nutrição infantil, a alimentação sustentável, a relação entre comida e arte e as formas de produção do alimento. Todos muito bem produzidos com cenários realistas, painéis com dados estatísticos e visitas bem organizadas. Uma importante reflexão para esses temas. Na entrada da expo, perto desses  pavilhões havia um batalhão de guardiões (esculturas de aproximadamente 4 metros de altura), todos produzidos com representação de alimentos como cenouras, tomates, abacaxis, melões, laranjas, e todos os tipos de frutas, legumes e verduras. Uma empolgante recepção!





Depois dessa receptividade começar a visitar os 145 pavilhões como se fossem corredores de supermercado para tentar explorar tudo não foi uma opção para quem tinha só dois dias para ver tudo .Eu ,minhas amigas arquitetas e meu amigo músico conseguimos a proeza de visitar 15 pavilhões nos 110 hectares (mil e cem quilômetros) da Expo. Foi uma conquista e tanto! Diante desse desafio escolhemos começar pelo pavilhão do Brasil e foi uma escolha acertada, a entrada do pavilhão era feita pela escalada de uma grande teia de corda. Embaixo desse piso de cordas, as pessoas visitavam canteiros de plantas e hortaliças brasileira. Na parte coberta, uma área mais informativa apresentava painéis com os dados da produção brasileira de alimentos.  No mesmo espaço, uma série de casinhas de passarinhos com mini canteiros de sementes fazia com que as pessoas circulassem de modo livre  apreciando e se divertindo com as inovadoras casinhas de cerâmica branca. Um projeto simplesmente maravilhoso! Que orgulho tivemos do nosso Brasil tão bem representado pelo projeto do talentoso arquiteto Artur Casas. 





No grande espaço da Expo não faltavam restaurantes, lanchonetes, stands especializados em chocolates , outros em vinhos, alguns em cervejas. Haviam banheiros (inclusive adaptados), carrinhos, bicicletas e cadeiras de rodas  para alugar, cadeiras e bancos de todos os tipos e designs para que os visitantes pudessem dar uma pausa. Muitas vêzes nesses locais de grande circulação havia também uma apresentação musical. Além disso, nos amplos corredores haviam cenários com grandes barracas como se fossem de uma feira livre. Eram barracas de frutas, queijos, legumes, carne, vinho. Eram bem realistas e faziam as pessoas pararem para curtir a riqueza de detalhes desses alimentos esculpidos em diversos materiais e técnicas.





Dando sequência à nossa visita vimos cada pavilhão apresentado como um projeto arquitetônico. A Holanda usou materiais alternativos como caixas de maçã, o Equador optou por correntes de metal coloridas formando uma fachada artística e curiosa. A Itália ousou construindo um pavilhão parecido com uma grande escultura branca de madeira reciclada. A China recriou suas plantações de trigo com milhares de varetas com lâmpadas de Led. A  globalização estava ali representada. Na parte interna de cada pavilhão ,cada país com sua cultura, recursos e capacidade de inovação, apresentou de modo claro suas percepções e propostas de sustentabilidade, de valorização do alimento e da preservação da vida.  Entre os 45 pavilhões que visitamos (alguns rapidamente) vários nos chamaram a atenção além do brasileiro, curtimos muito o pavilhão da Polônia, no qual, utilizando de tecnologia interativa , foi instalado um grande painel (como se fosse um cinema). Esse painel apresentava um enorme rosto como se fosse um ser de outro planeta que se mexia de vez em quando. Mas, quando uma pessoa por acaso fazia alguma pergunta a alguém que estava por ali, a figura respondia no idioma da pessoa e começava a interagir com o público. O tema era sempre voltado à sustentabilidade ambiental e a figura era um  Ser que vivia no centro da terra. Foi uma experiência lúdica muito criativa !  O  Reino Unido também esteve  bem representado por meio do pavilhão do artista Wolfgang Buttress. A estrutura metálica de linhas geométricas formava desenhos inusitados numa linda colmeia. A grandiosidade e a riqueza de detalhes fizeram com que esse pavilhão fosse eleito o mais bonito da Expo, conquistando a medalha de ouro. 







Os encantamentos deste evento foram infindáveis, mas o que o diferencia de tantos outros é o fato de que os países, com raras exceções (inclusive os Estados Unidos que apresentou um pavilhão que mais parecia um feira de ciências de uma escola sem criatividade), expuseram ao mundo o melhor que podiam oferecer. Propuseram seus conceitos de sustentabilidade, solidariedade, de tecnologias alternativas para a produção de alimentos mais saudáveis, de geração de energia limpa, de economia da energia, de arte, de arquitetura, de design, de música, de teatro. Até o Circo de Soleil apresentou seu espetáculo A La Vita preparado especialmente para esta oportunidade. A Expo 2015 de Milão fez jus ao centésimo nono aniversário deste evento que começou após a Revolução Industrial e se firma a cada ano como representativo da união dos povos por meio da arte e da cultura! Parabéns aos organizadores, aos países participantes e aos visitantes que coroaram mais esta edição da Exposição Internacional. Que venha Dubai em 2020 com o tema "Connecting Minds, Creating the Future".